-Jacob! –Essas palavras me acariciavam conforme eram pronunciadas. Esqueci-me de tudo e todos. A única coisa que me lembrava de era o fato de que Jacob estava comigo. Ele me abraçou com a mesma serenidade e deu-me um beijo nas bochechas. A surpresa era tanta que me faltavam palavras para descrever o que sentia. Fazia um mês que Jacob havia ido viajar para resolver alguns problemas, estava com muita saudade dele. Olhei em seus olhos e vi o mesmo carinho que eu sentia refletido nos seus olhos. Dei mais um abraço nele e vi meu coração acelerar.
-Olá Nessie. Também senti tua falta miúda. – Ouvi sua risada abafada, o som fez meu coração quase sair pela boca. Dei mais um abraço nele, e me afastei. Finalmente lembrei-me de minha família que também estava presente. O Jacob disse um formal “olá” para todos, pegou minha mão e me guiou para fora de casa. Fomos andando até pararmos em uma praia. Sentamos na areia, sentindo o calor que emanava tanto da areia como de Jacob. Abracei-o ouvi novamente o meu coração saltar.
-Senti muito sua falta.
-Você não sabe o quanto senti a sua falta, Jake. – Vi seus lábios se repuxarem em um grande sorriso: uma reação as minhas palavras.
-Então miúda, conte-me o que aconteceu enquanto estive fora.
-Contei para ele, tudo que havia acontecido, a única coisa que não pude contar era sobre a Kate, eu preferia esperar mais um pouco. Passamos a tarde toda juntos. Diverti-me tanto que nunca imaginei possível. Quando percebi que o sol já estava se pondo. Levantei-me e olhei em seus olhos.
-Jake, tenho que ir.
-Agora?
-Sim. Já esta tarde, preciso voltar para casa.
-Tudo bem, mas prometa-me que irá me visitar amanhã na reserva. –Os olhos dele estavam tristes, como se ele soubesse que não teria amanhã.
-Prometo. Vamos? –Ele se levantou e foi comigo até a minha casa. Quando chegamos, dei um grande abraço nele e outro beijo em sua face. Vi que meu rosto estava prestes a corar, portanto escondi a minha face em seu peito. Dei mais um abraço e corri até em casa. Meus pais não estavam por isso fui para meu quarto e me aprontei para dormir. Pensei em tudo que tinha acontecido hoje, a amizade de Kate, o Jacob... Hoje com certeza seria um dos melhores dias da minha vida. Adormeci pensando em como a minha vida estava perfeita. A única coisa que eu ainda não possuía era o amor de Jacob, e esse era a peça chave do quebra-cabeça, ou seja, o mais importante.
Acordei com uma sensação de calor em minha pele, a primeira coisa que pensei foi em Jacob, mas depois fiquei envergonhada com tal pensamento. Ele me via como uma irmã e eu deveria o ver do mesmo jeito. Havia três meses desde a volta do Jake. Normalmente eu alternava as atividades, um dia eu passava com a Kate, que agora era oficialmente minha melhor amiga, mesmo que ninguém além do Jake a conheça (e saiba que ela é uma vampira), e outro eu passava com o Jake, o que fazia meus pais reclamarem do pouco tempo que passava com eles. Abri os olhos e vi a claridade: fazia sol em Forks. Isso significava duas coisas: eu ficaria sozinha na escola, já que meus pais não podem sair ao sol sem causar um acidente de trânsito e levando em consideração que minha melhor amiga também era uma vampira com certeza o dia seria péssimo. Levantei desanimada, vesti-me com uma saia azul escuro, uma regata também azul, uma sapatilha branca e um casaco branco. Saí do meu quarto em direção à sala. Como meus pais não estavam resolvi ir até o quarto deles, mas me arrependi no momento em que abri a porta: os dois estavam namorando. Quando percebi que eles tinham me visto, abaixei os olhos e disse:
-Finjam que eu não estive aqui. Continuem o que estavam fazendo. –Fechei a porta o mais rápido possível e fui correndo para a sala. Ouvi meu pai vindo atrás de mim rindo. Sentei-me no sofá na esperança de esquecer aquela cena. Meus pais se sentaram ao meu lado, agora vestidos.
-Bom dia filha. –Como sempre, minha mãe foi a primeira a me cumprimentar e dar-me um beijo na testa, meu pai repetiu o gesto logo depois. Depois de dois segundos de silêncio, meu pai virou-se para min:
-Filha, não precisa ir à aula hoje. Não queremos que você fique sozinha na escola. –Quase dei um pulo de alegria. Não precisaria ficar sozinha na aula, e poderia visitar o Jake. Quando eu ia agradecer ao meu pai e disser que ficaria em casa, meu telefone tocou.
-Alô?
-Alô. Nessie?
-Sim. Quem fala?
-Kate. Você não vem na aula?
-Você vai?
-Vou. Você vem?
-Tudo bem. Chego aí em dez minutos.
-Nem pense nisso. Hoje sou eu que vou te levar na escola.
-Posso perguntar como?
-No meu carro. Tenho seu endereço, você me deu no primeiro dia de aula. Passo em cinco minutos. Até logo. –Acho que ela entendeu errada a pergunta.
-Até logo. –Agora eu tenho certeza, a Kate é louca. Ela vai à escola em um dia de sol e ainda entra em território de outros vampiros. Ou ela é louca ou é muito ingênua. Ou pior é sem noção. Lembrei-me de meus pais, a Kate tinha colocado um escudo na minha mente ontem, mas era temporário, só duraria até às nove da manhã, ou seja, acabava em cinco minutos, então meu pai não conseguia ler a minha mente desde ontem, mas ele acha que minha mãe anda me cobrindo com o escudo dela, que não tem prazo de validade e nem falhas. Quando estou com ele evito a todo custo pensar em Kate, portanto ele não sabe de sua existência.
-Pai, eu vou à escola hoje.
-Tudo bem. Quer que eu te leve?
-Essa é a questão. Minha amiga disse que ia me levar.
-Tudo bem filha.
Ouvi o barulho do carro na rodovia, e estava saindo de casa, quando minha mãe me impediu. Ela tomou minha mão e levou-me para fora de casa. Quando cheguei ao jardim vi todos em posição de defesa, meus avós, meus tios e meus pais. O carro da Kate estacionou e ela saiu do carro e veio em minha direção. Quando meus pais se colocaram na minha frente, a Kate se deteve. Olhou desconfiada para mim, depois percebeu que eu não tinha contado a eles. Ela levantou os braços a acima da cabeça e disse em tom de brincadeira:
-Inocente até que se prove o contrário. –Nesse momento a Kate foi atirada na parede de vidro da casa de meus avós. Primeiramente eu achei que algum dos meus parentes a havia atirado, mas depois percebi que todos estavam ali e corri em socorro da Kate. Encontrei-a caída no chão, tirando um caco de vidro da perna e outro do braço. Ela me olhou desconfiada, depois sua expressão se suavizou. Levantou-se olhou para todos os lados e como não viu ninguém.
-O que aconteceu aqui? –Ela mal tinha terminada a frase quando derrubaram ela no jardim de novo. Dessa vez o agressor se mostrou. Era outro vampiro, alto e loiro. Kate se colocou em posição de ataque, mas mudou de opinião na mesma hora. Ela olhou para toda a minha família a sua volta e para min.
-Você o conhece? –A voz dela era de acusação.
-Não. Eu vim sozinho. Querida. –A voz dele era baixa, mas amedrontadora. Aveludada mas ao mesmo tempo dava a impressão de tortura psicológica.
-Louco sanguinário. Vamos para outro lugar, não quero que ninguém se machuque. Isso é só entre nós dois.
-Que frase mais clichê, dramática. Além disso, achei que você odiasse frase pronta. Prefiro ficar aqui, enquanto seus amigos te vêm morrer. Você não mudou nada.
-Vejo que você também não. Agora vá embora, deixe-nos em paz. Eles não me conhecem, não precisam ver isso.
-Eu deveria saber que você mentiria para salvar seus amigos. A propósito, que amiga maravilhosa. –Ele virou-se e ia em direção a minha mãe, quando meu pai se colocou entre os dois e rosnou.
-Tudo bem, percebi que não tem ninguém solteiro aqui, a não ser você. –Ele correu até mim, mas foi rápido demais. Meu pai correu para impedi-lo, mas não foi necessário, pois o vampiro caiu ajoelhado aos meus pés. Olhei para ele, que estava se contorcendo de dor. Lembrei-me de Jane e tremi: a reação que sempre tinha com a lembrança dos Volturi. Resolvi olhar de onde vinha aquilo e percebi que a Kate estava usando seus poderes. Os olhos dela estavam tristes, e se ela conseguisse tenho certeza que agora estaria chorando.
-Nunca subestime uma bruxa. Você não é digno de tocar quem quer que seja. –A voz dela agora tinha tomado o tom de piedade e desespero. –Eu te pedi para não fazer isso e me deixar em paz. Idiota, por quê? – Sem esperar resposta ela veio até ele, arrancou-lhe a cabeça. Eu tinha ficado paralisada pelo pânico. Com um movimento da mão ela fez uma fogueira aparecer, e jogou o corpo nela. Kate caiu ajoelhada ao lado da fogueira, materializou uma rosa branca e jogou-a dentro do fogo após murmurar uma oração. Ela levantou-se, limpou-se e veio em minha direção. Minha família colocou-se entre nós duas. Estava na hora de agir, eu tinha sido idiota de não ter contado para eles. Finalmente encontrei minha voz novamente.